Porque é que a Segurança e Saúde em obra começa antes do estaleiro abrir

Quando se fala em Segurança e Saúde no Trabalho (SST) em obras, muitas pessoas pensam imediatamente em capacetes, coletes refletores, sinalização e visitas de inspeção ao estaleiro. Tudo isto é essencial — mas chega tarde demais se a segurança só for pensada depois da obra arrancar.

Numa empreitada, a segurança eficaz começa muito antes da instalação do estaleiro. Começa na fase de conceção, planeamento e contratação, com decisões do Dono de Obra, do projetista e da equipa de fiscalização.


1. Segurança em obra: mais do que cumprir a lei

Em Portugal, a legislação de Segurança e Saúde no Trabalho na construção é clara quanto às responsabilidades do Dono de Obra e dos intervenientes no processo construtivo. Mas, mais do que uma exigência legal, a gestão da segurança é uma questão de gestão de risco:

  • Risco de acidentes graves e fatais;
  • Risco de paragens de obra, atrasos e custos adicionais;
  • Risco reputacional e contratual para o Dono de Obra e para a cadeia de fornecedores.

Ou seja, a segurança é um tema que impacta diretamente prazo, custo e qualidade. Tratar a segurança de forma reativa (“quando houver inspeção logo se vê”) é uma estratégia cara e arriscada.


2. O erro mais comum: “tratamos da segurança quando a obra começar”

Um dos erros mais frequentes é o Dono de Obra encarar a segurança como algo que se “compra” já com a obra em andamento:

  • Contrata-se um empreiteiro e “inclui-se” alguém para tratar da segurança;
  • Envia-se um Plano de Segurança e Saúde “tipo”, sem ligação real ao projeto e ao método construtivo;
  • Só se pensa em coordenação de segurança quando surgem inspeções, incidentes ou exigências do empreiteiro.

O resultado costuma ser:

  • Planos de segurança pouco adaptados à realidade da obra;
  • Falta de articulação entre projeto, planeamento de trabalhos e medidas preventivas;
  • Conflitos entre empreiteiro, Dono de Obra e fiscalização sobre responsabilidades;
  • Dificuldade em controlar subempreiteiros e equipas externas.

Em síntese: a obra entra em modo “apagar fogos”, em vez de seguir um plano claro.


3. Segurança e Saúde começa na fase de projeto

O ponto de partida para uma obra mais segura é a integração da segurança ainda na fase de projeto e conceção. Isso passa por:

3.1. Opções de conceção mais seguras

  • Escolha de soluções construtivas que minimizem trabalhos em altura, em espaços confinados ou em zonas de risco acrescido;
  • Definição de acessos, circulações, plataformas de trabalho e áreas de carga/descarga desde o projeto;
  • Previsão de pontos de ancoragem, sistemas de proteção coletiva e acessibilidade futura para inspeções e manutenção.

3.2. Coordenação de Segurança em fase de projeto

A existência de um Coordenador de Segurança em fase de projeto, articulado com o projetista e o Dono de Obra, permite:

  • Identificar riscos significativos associados ao processo construtivo;
  • Incluir medidas preventivas diretamente nas peças do projeto e no caderno de encargos;
  • Garantir que o Plano de Segurança e Saúde não é um “anexo genérico”, mas sim um documento vivo, consistente com o que será executado em obra.

4. Planeamento: segurança como parte do “como vamos construir”

A seguir ao projeto, vem a fase de planeamento — onde se joga boa parte do sucesso da obra em termos de segurança.

4.1. Procedimentos e fases críticas

Antes de abrir o estaleiro, devem ser definidos:

  • Fases críticas de obra (movimentação de terras, demolições, trabalhos em altura, betonagens, montagem de estruturas, etc.);
  • Procedimentos específicos para cada fase, incluindo meios de proteção coletiva, formação necessária e autorizações internas;
  • Regras claras para subempreiteiros, designadamente acesso, credenciação, documentação e supervisão.

4.2. Articulação entre fiscalização e coordenação de segurança

Quando a fiscalização de obra e a coordenação de segurança trabalham em silos, perde-se eficiência. O ideal é uma equipa articulada, na qual:

  • A fiscalização reporta não conformidades técnicas que impactam a segurança (e vice-versa);
  • As decisões sobre sequência de trabalhos, frentes em simultâneo e ritmos de produção consideram sempre as condições de segurança;
  • As atas de obra, relatórios de visita e registos fotográficos incorporam também o ponto de vista da segurança.

5. Estaleiro preparado: chegar ao “dia 1” com tudo alinhado

Quando a segurança é pensada desde o projeto, o “dia 1” do estaleiro já não é um salto no escuro. Nesse momento, a obra deve arrancar com:

  • Plano de Segurança e Saúde adaptado à realidade do projeto e validado pelo Coordenador de Segurança e pelo Dono de Obra;
  • Layout do estaleiro definido (acessos, vedações, áreas de armazenamento, circulação de veículos e pessoas);
  • Meios de proteção coletiva previstos e calendarizados (guarda-corpos, redes, andaimes, sinalização);
  • Procedimentos de emergência e primeiros socorros estabelecidos;
  • Regras claras para subempreiteiros e trabalhadores de empresas externas.

Assim, o estaleiro não é o ponto de partida da segurança — é a materialização de um trabalho de planeamento que começou muito antes.


6. Vantagens para o Dono de Obra

Quando a Segurança e Saúde em obra é integrada desde o início, o Dono de Obra ganha em várias frentes:

  • Menos surpresas e paragens: incidentes, autos de inspeção negativos ou conflitos em matéria de SST tendem a ser reduzidos;
  • Menos risco de responsabilidade: decisões documentadas, planos adequados e registos de acompanhamento protegem o Dono de Obra do ponto de vista legal e contratual;
  • Maior controlo da empreitada: segurança integrada com fiscalização melhora o controlo global de prazo, custo e qualidade;
  • Melhor imagem institucional: obras conduzidas com rigor em SST reforçam a credibilidade perante colaboradores, parceiros e comunidade.

7. Como a Duedilis integra Segurança e Saúde desde o início

Na Duedilis – Fiscalização & Gestão de Obras, a Segurança e Saúde não é um “serviço à parte”, mas uma componente estruturante do acompanhamento da obra:

  • Envolvemos Coordenadores de Segurança logo na análise de projeto e do caderno de encargos;
  • Articulamos fiscalização, direção de fiscalização e coordenação de segurança numa mesma lógica de gestão integrada de risco;
  • Valorizamos profissionais com experiência real em obra e conhecimento das exigências legais e práticas da construção.

O objetivo é simples: que a segurança não seja um obstáculo ao andamento da obra, mas uma condição para que tudo avance com qualidade, previsibilidade e proteção de todas as partes.


8. Próximo passo: falar connosco sobre o seu projeto

Se está a planear lançar uma obra — pública ou privada — e quer garantir que a Segurança e Saúde é tratada de forma séria desde o primeiro dia, a Duedilis pode apoiar:

  • Na fase de conceção e planeamento;
  • Na definição de requisitos de segurança em cadernos de encargos;
  • Na coordenação de segurança em projeto e obra;
  • Na fiscalização independente e na defesa dos interesses do Dono de Obra.

Entre em contacto connosco para analisar o seu caso em concreto e encontrar o modelo de acompanhamento mais adequado ao seu projeto.

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top